Por Dr. Armando Lepore Junior – Médico do Trabalho – CRM-SP 71.884
RQE 46766
Outubro Rosa é um convite para transformar informação em cuidado. A
campanha reforça a importância da redução dos fatores de risco, da
identificação de alterações nas mamas e do acesso oportuno ao diagnóstico e ao
tratamento. Nas empresas, essa mobilização pode aproximar as trabalhadoras de
orientações confiáveis e dos serviços de saúde.
Os números reforçam a importância dessa atenção
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de
câncer de mama no Brasil por ano, em cada ano do triênio 2026–2028. Excluindo
os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre as mulheres no
país. Na página do INCA destinada à população, o total de mortes por câncer de
mama informado para 2024 é de 20.849, com base no Sistema de Informações sobre
Mortalidade (SIM).
No cenário mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu
informativo de julho de 2026, apresenta estimativas de 2,4 milhões de mulheres
diagnosticadas e 694 mil mortes em 2024.
Apesar dos números se referirem a períodos distintos (a incidência
brasileira é uma estimativa anual para 2026 e os dados de mortalidade
brasileira e de ocorrência mundial são de 2024) Podemos imaginar seu impacto na
sociedade, mais do que estatísticas, representam pessoas, famílias e histórias
que precisam de atenção.
Prevenção e detecção precoce: cuidados que se complementam
Atividade física regular, manutenção de peso saudável e redução do
consumo de bebidas alcoólicas ajudam a diminuir o risco de câncer de mama.
Entretanto, hábitos saudáveis não eliminam completamente a possibilidade de
adoecimento. A ausência de casos na família também não dispensa atenção à saúde
das mamas.
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças. Nódulos na mama
ou na axila, alterações na pele ou no formato da mama, retração do mamilo e
saída espontânea de secreção, especialmente com sangue, devem motivar avaliação
de saúde. A presença de uma alteração não significa necessariamente câncer, mas
merece investigação, mesmo quando não há dor.
A detecção e o tratamento em fases iniciais podem melhorar os
resultados. Por isso, diante de um sinal suspeito, não se deve esperar a
próxima campanha ou a idade indicada para os exames de rotina.
Mamografia: informação atualizada para uma decisão consciente
A orientação atual do Ministério da Saúde para o rastreamento
populacional no SUS é realizar mamografia a cada dois anos em mulheres de 50 a
74 anos sem sinais ou sintomas suspeitos.
Para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos, o acesso ao
rastreamento pode ocorrer por demanda, após orientação profissional sobre
benefícios e possíveis riscos. Pessoas com risco elevado precisam de avaliação
individualizada. Quando existem sintomas, a investigação segue a necessidade
clínica, independentemente da faixa etária do rastreamento.
Observar e conhecer as mamas é importante, mas o autoexame não
substitui a mamografia nem a avaliação profissional.
Outubro Rosa nas empresas: uma ação prevencionista da Medicina do
Trabalho
A Medicina do Trabalho tem um papel importante na promoção da saúde:
orientar, esclarecer dúvidas, estimular o cuidado e facilitar encaminhamentos.
O ambiente profissional pode ser um espaço de educação em saúde e acolhimento,
com respeito à privacidade de cada trabalhadora.
Nesse contexto, a OPUS pode apoiar as empresas com ações adaptadas
ao perfil das equipes e às diferentes jornadas de trabalho:
• Workshops: encontros participativos para esclarecer dúvidas e
discutir cuidados com a saúde da mulher.
• Palestras: orientações acessíveis sobre fatores de risco, sinais de alerta e
detecção precoce.
• Lives: atividades que ampliam o alcance da campanha a equipes remotas ou de
diferentes unidades.
• Folders: material educativo produzido pela OPUS, com informações objetivas e
orientações práticas.
• Banners e peças digitais: material produzido pela OPUS para reforçar a
campanha nos espaços de circulação e nos canais internos.
MUITO IMPORTNATE:
Além da comunicação, a empresa pode facilitar o acesso a consultas e
exames, divulgar os caminhos de atendimento e apoiar as trabalhadoras durante o
tratamento e o retorno ao trabalho, conforme avaliação individual.
Com conhecimento técnico e atenção às pessoas, a OPUS SAUDE DO TRABALHO contribui para
transformar o Outubro Rosa em uma ação prevencionista concreta. Promover a
saúde da mulher no trabalho é incentivar o cuidado durante todo o ano.
FONTES
Dados e orientações consultados 06.10.26.
1. INCA. Estimativa 2026–2028: síntese de
resultados e comentários.
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/sintese-de-resultados-e-comentarios
2. INCA. Câncer de mama: versão para
população. Estatísticas, fatores de risco e orientações.
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama/versao-para-populacao
3. Organização Mundial da Saúde. Breast
cancer. Atualização de 3 de julho de 2026.
https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/breast-cancer
4. INCA / Ministério da Saúde. Ministério
da Saúde padroniza informações para acesso ao exame de mamografia no SUS.
https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2025/ministerio-da-saude-padroniza-informacoes-para-acesso-ao-exame-de-mamografia-no-sus
5. Ministério da Saúde. Guia de bolso para
agentes comunitários de saúde: rastreamento do câncer de mama e do colo do
útero. 2026.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_bolso_agente_saude_rastreio_cancer.pdf