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Setembro termina. O cuidado com a saúde mental continua.

Opus Saúde
Setembro termina. O cuidado com a saúde mental continua.

Por Dr. Armando Lepore Junior – Médico do Trabalho – CRM-SP 71.884 – RQE 46766

Durante todo o mês de setembro, o laço amarelo nos lembrou da importância de falar sobre saúde mental, acolhimento, prevenção do suicídio e valorização da vida.

Mas existe uma reflexão importante para este último dia do mês:

Amanhã o calendário muda. A necessidade de cuidar das pessoas, Não.

Talvez essa seja uma das principais mensagens que o Setembro Amarelo possa deixar.

Falar é importante. Escutar também.

O sofrimento emocional nem sempre é visível.

Muitas pessoas continuam trabalhando, estudando, convivendo com familiares e cumprindo suas obrigações enquanto enfrentam silenciosamente ansiedade, tristeza, conflitos pessoais ou outras formas de sofrimento psíquico.

Por isso, saúde mental não deve ser lembrada apenas quando aparecem sinais graves.

Prevenção também significa construir ambientes nos quais as pessoas possam falar, serem ouvidas, escutadas e procurar ajuda sem medo de julgamento.

Uma conversa não substitui o atendimento profissional quando ele é necessário.

Mas uma conversa pode representar o começo do caminho até esse atendimento.

Ouvir continua sendo uma forma importante de cuidado.

E o ambiente de trabalho também faz parte dessa história

Para milhões de pessoas, grande parte do dia é vivida no trabalho.

O trabalho pode representar realização, autonomia, aprendizado, reconhecimento, convívio social e pertencimento.

Mas determinadas condições relacionadas à organização do trabalho também podem contribuir para sofrimento quando não são adequadamente reconhecidas e administradas.

Entre os fatores que merecem atenção estão situações como:

  • demandas excessivas ou mal dimensionadas;

  • falta de clareza sobre responsabilidades;

  • ausência de apoio adequado;

  • conflitos interpessoais;

  • assédio;

  • falhas de comunicação;

  • pouca autonomia;

  • jornadas e ritmos de trabalho inadequados.

Isso não significa atribuir automaticamente ao trabalho todo problema de saúde mental apresentado por um trabalhador.

O adoecimento psíquico é frequentemente multifatorial.

História pessoal, condições de saúde, relações familiares, acontecimentos de vida, características individuais e fatores sociais e profissionais podem participar, em diferentes proporções, de cada situação.

Justamente por isso, avaliar saúde mental exige cuidado, método e responsabilidade.

Em 2026, esse compromisso ganhou ainda mais importância para as empresas

Desde 26 de maio de 2026, a nova redação do capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 – NR-1 passou a contemplar expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO.

Na prática, isso reforça a necessidade de as organizações identificarem situações relacionadas ao trabalho que possam representar perigo, avaliarem os riscos existentes e adotarem medidas de prevenção quando necessárias.

Não se trata simplesmente de aplicar um questionário ou transformar qualquer insatisfação do trabalhador em diagnóstico de doença ocupacional.

Trata-se de construir um processo técnico de gerenciamento de riscos.

É necessário identificar, avaliar, interpretar e prevenir.

Esse trabalho deve considerar a realidade de cada organização, as atividades desenvolvidas, a percepção dos trabalhadores e as evidências disponíveis.

Saúde mental nas empresas não deve ser apenas uma campanha

Palestras, campanhas internas e materiais educativos são importantes.

Mas o cuidado efetivo precisa continuar depois que os cartazes forem retirados.

Uma política consistente de saúde mental no trabalho envolve, entre outras medidas:

escutar os trabalhadores;

observar a organização e as condições de trabalho;

capacitar lideranças;

identificar precocemente situações de conflito ou sofrimento;

oferecer orientação e encaminhamento quando necessário;

avaliar tecnicamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho;

e acompanhar continuamente as medidas de prevenção adotadas.

A saúde ocupacional tem papel fundamental nesse processo porque permite integrar prevenção, medicina do trabalho, segurança do trabalho e gestão de riscos.

Setembro termina. A responsabilidade permanece.

Talvez o maior legado do Setembro Amarelo seja justamente compreender que prevenção não pode depender da cor de um mês.

Outubro chegará amanhã.

Depois virão novembro, dezembro e um novo ano.

E em todos eles existirão pessoas precisando ser escutadas.

Empresas precisarão continuar cuidando dos seus ambientes de trabalho.

Profissionais de saúde precisarão continuar atentos aos sinais de sofrimento.

Famílias e amigos continuarão sendo importantes redes de apoio.

E cada um de nós poderá, em algum momento, fazer diferença simplesmente estando disponível para ouvir.

O Setembro Amarelo termina hoje.
O compromisso com a saúde mental e com a valorização da vida deve continuar todos os dias.


Quando procurar ajuda

Diante de sofrimento emocional importante, procure atendimento profissional.

A rede pública disponibiliza atendimento por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de urgência, UPA e hospitais.

O Centro de Valorização da Vida – CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Em situações de urgência ou risco imediato, procure um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo telefone 192.


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Opus Saúde

Sobre a OPUS Saúde:

A Opus Saúde é especializada em Saúde Ocupacional e Medicina do Trabalho, oferecendo soluções voltadas à promoção da saúde, prevenção de riscos e apoio à gestão de saúde das empresas.

Atuamos na elaboração e gestão de programas ocupacionais, avaliações médicas, exames, laudos, gestão de SST e Assistência Técnica Médica em processos, integrando conhecimento médico, experiência e atendimento às necessidades de cada organização.

Nosso compromisso é contribuir para ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, oferecendo às empresas suporte técnico responsável, ético e baseado em evidências.

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