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Medicina do Trabalho In Company Vale a Pena? Veja Quando Levar os Exames até a Empresa

Opus Saúde
Medicina do Trabalho In Company Vale a Pena? Veja Quando Levar os Exames até a Empresa

Por Dr. Armando Lepore Junior — Médico do Trabalho — CRM-SP 71.884

Imagine uma empresa com 100, 300 ou 500 colaboradores precisando realizar exames periódicos. Se cada trabalhador precisar sair individualmente da unidade, deslocar-se até uma clínica, aguardar o atendimento e depois retornar ao trabalho, o impacto operacional pode ser significativo.

É justamente nesse cenário que o atendimento de Medicina do Trabalho In Company pode se tornar uma alternativa interessante.

Em vez de levar os funcionários até a estrutura de Medicina Ocupacional, determinados atendimentos são organizados dentro da própria empresa, conforme a demanda, os exames necessários e as condições técnicas disponíveis.

Para o RH, essa estratégia pode facilitar a convocação dos colaboradores, reduzir deslocamentos e permitir que um grande número de exames seja realizado de maneira programada.

Mas o atendimento In Company não é necessariamente a melhor solução para todas as organizações. Número de funcionários, tipos de exames, estrutura física, localização das unidades e frequência dos atendimentos precisam ser avaliados antes da decisão.

O que é Medicina do Trabalho In Company?

O termo In Company significa que determinados serviços de Medicina do Trabalho são realizados nas instalações da própria empresa contratante.

A equipe ocupacional se desloca até a organização e realiza os procedimentos previamente definidos em um espaço preparado para o atendimento.

Dependendo da estrutura montada e da necessidade da empresa, esse modelo pode ser utilizado principalmente em campanhas de exames periódicos, avaliações clínicas ocupacionais e determinados exames complementares.

O objetivo não é simplesmente transportar uma clínica para dentro da empresa. É organizar uma operação que respeite os critérios técnicos, a privacidade dos trabalhadores, os equipamentos necessários e os procedimentos previstos no PCMSO.

Quais exames podem ser realizados In Company?

A definição depende da estrutura disponível, dos riscos ocupacionais e dos exames previstos no PCMSO.

Entre os procedimentos que podem fazer parte de uma operação In Company estão, conforme a viabilidade técnica:

  • exames clínicos ocupacionais;
  • exames periódicos;
  • avaliações para emissão de ASO;
  • audiometria ocupacional;
  • espirometria;
  • acuidade visual;
  • eletrocardiograma;
  • eletroencefalograma;
  • coletas laboratoriais;
  • outros exames complementares previstos no PCMSO.

Nem todo procedimento necessariamente poderá ou deverá ser realizado dentro da empresa.

Alguns exames exigem ambientes específicos, equipamentos, condições técnicas ou encaminhamento para clínicas e laboratórios especializados.

Por isso, antes de uma campanha In Company, é importante analisar quais procedimentos são necessários para cada função e quais podem ser executados de maneira adequada na unidade.

Quando a Medicina do Trabalho In Company costuma valer a pena?

Não existe um número único de funcionários a partir do qual o atendimento passa automaticamente a ser vantajoso.

Entretanto, alguns cenários tornam essa modalidade especialmente interessante.

Empresas com grande número de colaboradores

Quanto maior a quantidade de funcionários que precisam realizar exames no mesmo período, maior pode ser o impacto do deslocamento individual.

Uma campanha organizada dentro da própria empresa permite montar uma agenda por horários, setores ou equipes.

Em vez de liberar dezenas de trabalhadores em dias diferentes, o RH consegue concentrar os atendimentos.

Centros de distribuição e operações logísticas

Empresas de logística normalmente trabalham com escalas, metas de separação e expedição, horários de carregamento e operações contínuas.

Retirar colaboradores da unidade durante períodos prolongados pode impactar diretamente a produtividade.

Nesses casos, organizar exames na própria operação pode reduzir o tempo fora do posto de trabalho.

Indústrias

Ambientes industriais também podem se beneficiar quando existe quantidade significativa de trabalhadores que precisam realizar avaliações periódicas.

É possível criar cronogramas por linha de produção, departamento ou turno, reduzindo interferências na rotina.

Empresas com vários turnos

Quando existem equipes trabalhando pela manhã, tarde e noite, encaminhar todos para uma clínica com horário comercial pode ser difícil.

Uma operação In Company pode ser planejada para atender diferentes grupos em horários previamente definidos, de acordo com a disponibilidade do serviço contratado.

Empresas localizadas longe das clínicas

O deslocamento pode ser um dos principais fatores de perda de tempo.

Se a empresa está localizada em distrito industrial, condomínio logístico ou região afastada dos centros comerciais, poucos quilômetros podem representar um período considerável devido ao trânsito e à disponibilidade de transporte.

Quanto tempo a empresa pode perder levando funcionários à clínica?

O tempo de um exame não deve ser avaliado apenas pelo período em que o trabalhador fica dentro do consultório.

Existem outras etapas:

  • saída do setor;
  • deslocamento até a clínica;
  • estacionamento ou transporte;
  • cadastro e recepção;
  • espera pelo atendimento;
  • realização dos exames;
  • retorno à empresa;
  • retomada da atividade.

Em grandes centros urbanos, o deslocamento pode representar mais tempo do que o próprio exame.

Multiplique esse período por dezenas ou centenas de funcionários e o impacto operacional começa a ficar evidente.

Exemplo: empresa com 200 funcionários

Considere uma empresa que possui 200 colaboradores com exames periódicos programados durante determinado período.

No modelo convencional, seria necessário organizar o encaminhamento desses trabalhadores até a clínica.

O RH precisaria:

  • emitir as convocações;
  • distribuir os funcionários entre diferentes horários;
  • controlar quem compareceu;
  • remarcar faltosos;
  • acompanhar o retorno;
  • verificar a emissão dos ASOs;
  • atualizar os registros.

Com uma campanha In Company, a organização pode reservar determinados dias e dividir os trabalhadores em pequenos grupos.

Por exemplo:

08h00 às 10h00: setor de logística
10h00 às 12h00: produção
13h00 às 15h00: administrativo
15h00 às 17h00: manutenção e equipes externas

O trabalhador realiza o atendimento e retorna ao posto sem precisar deixar a unidade.

Naturalmente, esse planejamento deve respeitar o tempo necessário para cada procedimento e não pode comprometer a qualidade da avaliação médica.

Quais são as principais vantagens do atendimento In Company?

Menos deslocamento dos funcionários

Essa costuma ser a vantagem mais evidente.

O colaborador deixa o setor, realiza o atendimento dentro da unidade e retorna às suas atividades.

Maior controle para o RH

Quando todos os atendimentos acontecem no mesmo local, fica mais fácil controlar quem compareceu e identificar quem ainda precisa realizar determinado exame.

Redução de faltas aos exames

Uma dificuldade comum das empresas é convocar o trabalhador e descobrir posteriormente que ele não compareceu à clínica.

Quando o atendimento ocorre dentro da empresa, a supervisão das convocações tende a ficar mais simples.

Organização por setor

O RH pode organizar horários de acordo com a operação.

Assim, evita-se retirar muitos trabalhadores de uma mesma área simultaneamente.

Atendimento de diferentes turnos

Dependendo da operação contratada, é possível estruturar agendas que reduzam a necessidade de colaboradores comparecerem fora de seu horário habitual.

Regularização de grande quantidade de periódicos

Empresas que acumularam muitos exames próximos do vencimento ou atrasados podem organizar campanhas para regularizar a situação.

Nesse cenário, o primeiro passo deve ser levantar as pendências e separar os trabalhadores de acordo com os exames indicados pelo PCMSO.

Atendimento In Company significa fazer apenas o ASO?

Não.

O ASO é emitido após o exame clínico ocupacional e deve estar relacionado ao acompanhamento previsto no PCMSO.

De acordo com a NR-7, o programa deve considerar os riscos ocupacionais identificados e classificados pelo PGR e incluir o planejamento dos exames clínicos e complementares necessários.

Portanto, uma campanha In Company não deve funcionar como uma simples “linha de produção de ASOs”.

Cada trabalhador precisa ser avaliado conforme sua função, seus riscos ocupacionais e os procedimentos estabelecidos no programa.

O médico precisa conhecer o PGR da empresa?

A integração entre PGR e PCMSO é fundamental.

Imagine uma empresa onde o operador de empilhadeira possui exposição a determinados riscos, mas esses fatores não aparecem corretamente no cadastro encaminhado ao médico.

A avaliação pode acabar sendo realizada com informações incompletas.

O mesmo ocorre quando existem:

  • cargos desatualizados;
  • setores que deixaram de existir;
  • novas máquinas;
  • novos produtos químicos;
  • alterações de layout;
  • mudanças nos processos;
  • novas atividades executadas pelo trabalhador.

O atendimento In Company pode inclusive ser uma oportunidade para identificar essas divergências, pois aproxima a equipe ocupacional da realidade da empresa.

É necessário montar um consultório dentro da empresa?

O espaço utilizado precisa ser compatível com os procedimentos que serão realizados.

Para avaliações clínicas, é necessário preservar condições adequadas de atendimento e privacidade.

Não é recomendável realizar avaliações médicas em espaços improvisados onde outros trabalhadores possam ouvir a conversa ou visualizar informações relacionadas à saúde do colega.

Dependendo dos exames complementares, também podem existir requisitos específicos relacionados ao ambiente, equipamentos ou condições necessárias para obter resultados tecnicamente adequados.

Por isso, normalmente é realizada uma avaliação prévia da estrutura disponível.

In Company substitui uma clínica de Medicina do Trabalho?

Na maioria das empresas, os dois modelos podem funcionar de forma complementar.

O atendimento dentro da organização pode ser utilizado principalmente para campanhas e demandas de maior volume.

A clínica continua sendo importante para situações como:

  • novas admissões fora das datas das campanhas;
  • demissões individuais;
  • retorno ao trabalho;
  • mudanças de risco;
  • exames complementares específicos;
  • avaliações que necessitem de estrutura própria;
  • atendimentos pontuais.

Uma estratégia eficiente pode combinar atendimento em clínica e campanhas In Company.

In Company é indicado para empresas pequenas?

Pode ser, mas é necessário avaliar a relação entre demanda e estrutura mobilizada.

Uma empresa com poucos funcionários pode ter maior praticidade encaminhando os trabalhadores diretamente à unidade de Medicina do Trabalho.

Por outro lado, diferentes pequenas empresas localizadas em uma mesma unidade ou grupo empresarial podem concentrar atendimentos e tornar uma campanha mais viável.

Também existem situações específicas em que a localização ou a dificuldade operacional justificam o deslocamento da equipe ocupacional.

A análise precisa ser feita caso a caso.

Como saber se o atendimento In Company compensa financeiramente?

O RH deve evitar comparar apenas o preço unitário do exame.

É preciso considerar o custo total da operação.

Entre os fatores que podem entrar nessa análise estão:

  • quantidade de funcionários;
  • tempo médio de deslocamento;
  • necessidade de transporte;
  • estacionamento;
  • tempo produtivo fora da empresa;
  • necessidade de substituição temporária do trabalhador;
  • quantidade de faltas às consultas;
  • tempo gasto pelo RH com reagendamentos;
  • número de turnos;
  • quantidade e tipo de exames necessários.

Uma proposta In Company pode ter custo direto maior por mobilizar equipe e equipamentos, mas ainda assim produzir economia quando reduz perdas operacionais.

A avaliação mais correta é comparar o custo total do processo, e não somente o preço de cada ASO.

Como organizar uma campanha de exames periódicos?

Uma operação eficiente começa antes da chegada da equipe médica.

A empresa deve seguir algumas etapas.

1. Atualizar a relação de funcionários

A base deve conter corretamente informações como unidade, setor, função, matrícula e situação do vínculo.

2. Levantar os exames que precisam ser realizados

O planejamento deve partir do PCMSO e dos riscos de cada função.

3. Identificar exames vencidos e próximos do vencimento

Isso ajuda a definir prioridades.

4. Separar os colaboradores por tipo de atendimento

Funcionários que precisam somente da avaliação clínica podem seguir um fluxo diferente daqueles que necessitam de exames complementares.

5. Organizar horários por setor e turno

Essa etapa evita filas e reduz impactos sobre a produção.

6. Preparar o espaço

A empresa deve reservar previamente os ambientes necessários para os procedimentos programados.

7. Convocar os trabalhadores

Os colaboradores precisam saber o dia, horário, local e eventuais orientações para os exames.

8. Acompanhar faltosos

Depois da campanha, o RH deve identificar rapidamente quem não compareceu e organizar a reposição.

9. Conferir ASOs e resultados

A realização do exame não encerra o processo. Os documentos precisam ser corretamente registrados e disponibilizados.

10. Atualizar o eSocial SST

As informações correspondentes ao monitoramento da saúde devem seguir o fluxo definido para o evento S-2220.

Uma campanha pode ajudar a regularizar ASOs atrasados?

Sim.

Esse é um dos usos mais interessantes do atendimento In Company.

Quando uma empresa identifica dezenas ou centenas de exames periódicos em atraso, tentar regularizar cada funcionário individualmente pode gerar semanas de deslocamentos e reagendamentos.

Uma campanha concentrada permite criar um plano de regularização.

Antes disso, porém, é necessário identificar:

  • qual foi o último exame de cada colaborador;
  • qual periodicidade está prevista no PCMSO;
  • quais exames complementares são necessários;
  • quais trabalhadores estão em atividades críticas;
  • quais funcionários mudaram de função ou risco;
  • se existem afastamentos ou retornos pendentes.

A regularização deve refletir a situação real. Documentos não devem ser retrodatados para aparentar que exames ocorreram anteriormente.

Atendimento In Company e eSocial SST

A realização dos exames dentro da empresa não altera as obrigações relacionadas ao registro das informações ocupacionais.

Depois da avaliação, os dados precisam seguir o fluxo de gestão utilizado pela organização.

O evento S-2220 do eSocial está relacionado ao monitoramento da saúde do trabalhador e utiliza informações provenientes dos exames ocupacionais.

Por isso, é importante que a empresa tenha integração entre:

  • Medicina do Trabalho;
  • Recursos Humanos;
  • Departamento Pessoal;
  • Segurança do Trabalho;
  • sistema de gestão;
  • responsável pelo envio do eSocial.

Quando a campanha termina, a gestão dos dados precisa continuar.

Quando o atendimento In Company pode não ser a melhor escolha?

Existem situações em que o atendimento convencional em clínica continua sendo mais eficiente.

Isso pode ocorrer quando:

  • a empresa possui poucos funcionários;
  • a demanda é muito esporádica;
  • existem muitos tipos diferentes de exames;
  • a organização não possui espaço adequado;
  • os colaboradores trabalham de forma muito distribuída;
  • os exames exigem estrutura especializada;
  • o custo de mobilização é superior ao benefício operacional.

O ideal é não escolher o modelo antecipadamente.

Primeiro, devem ser analisados o número de colaboradores, a documentação ocupacional, a periodicidade dos exames, a localização da empresa e a rotina operacional.

Medicina do Trabalho In Company vale a pena?

Para empresas com volume significativo de colaboradores, a resposta frequentemente pode ser positiva.

O principal benefício não está apenas na comodidade. Está na possibilidade de organizar os exames como um processo integrado à operação da empresa.

Uma campanha bem planejada pode reduzir deslocamentos, diminuir faltas, facilitar convocações e dar ao RH maior controle sobre os exames periódicos.

Entretanto, quantidade não deve substituir qualidade.

O atendimento precisa continuar respeitando o PCMSO, os riscos identificados no PGR, os critérios médicos e a privacidade dos trabalhadores.

Como médico do trabalho, considero que o melhor modelo é aquele que consegue conciliar três pontos: qualidade técnica, proteção à saúde do trabalhador e eficiência para a empresa.

Atendimento In Company para empresas

A Opus Saúde oferece soluções de Medicina do Trabalho e Saúde Ocupacional para empresas que precisam organizar exames ocupacionais e campanhas de atendimento aos colaboradores.

De acordo com a necessidade da organização, o atendimento pode envolver:

  • planejamento de campanhas de periódicos;
  • atendimento médico ocupacional In Company;
  • exames clínicos ocupacionais;
  • exames complementares;
  • emissão de ASOs;
  • controle de exames periódicos;
  • elaboração e coordenação do PCMSO;
  • integração com PGR;
  • gestão dos eventos de SST do eSocial;
  • acompanhamento das pendências pelo RH.

A empresa pode combinar o atendimento In Company com a estrutura clínica, utilizando cada modalidade de acordo com a necessidade dos trabalhadores.

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Sobre a OPUS Saúde:

A Opus Saúde é especializada em Saúde Ocupacional e Medicina do Trabalho, oferecendo soluções voltadas à promoção da saúde, prevenção de riscos e apoio à gestão de saúde das empresas.

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